A desconstrução do patriarcado

Todos os anos, no Dia Internacional da Mulher, somos inundadas por mensagens de celebração. Flores, homenagens e discursos que exaltam a força feminina tomam conta dos espaços – virtuais e físicos. Mas, após o dia 8 de março, a rotina volta ao normal, e junto com ela permanecem as estruturas que, silenciosamente, mantêm o patriarcado em pé.

A grande pergunta é: quando de fato iremos desconstruir o patriarcado?

Não podemos negar os avanços conquistados por mulheres ao longo dos séculos. Direito ao voto, participação no mercado de trabalho, acesso à educação e espaços de liderança. Mas será que esses avanços representam uma verdadeira desconstrução ou apenas pequenas rachaduras em uma estrutura ainda sólida?

Quando olhamos de perto, percebemos que o sistema patriarcal não se manifesta apenas em formas explícitas de opressão. Ele está nas microagressões diárias, na desigualdade salarial, na sobrecarga invisível do trabalho doméstico, nas expectativas de comportamento e na dificuldade em ocupar posições de poder sem que nossa competência seja questionada.

Desconstruir o patriarcado não é um movimento que acontece apenas por leis ou políticas públicas – embora essas sejam fundamentais. É, antes de tudo, um exercício coletivo e contínuo de reflexão e mudança de comportamento.

É questionar os padrões que normalizam a desigualdade. É reconhecer os privilégios que ainda se concentram em mãos masculinas. É revisitar as narrativas que reforçam a ideia de que as mulheres devem provar seu valor o tempo todo.

E mais: desconstruir o patriarcado é também uma ação cotidiana. Está em ouvir e amplificar as vozes femininas, em criar ambientes seguros e igualitários, em dividir responsabilidades e em educar as próximas gerações para que não reproduzam as mesmas estruturas.

A desconstrução do patriarcado não virá de uma única ação ou de um único dia de reflexão. Virá quando cada um de nós – mulheres e homens – assumirmos a responsabilidade de mudar a cultura em que estamos inseridos.

Será quando as empresas deixarem de enxergar políticas de diversidade como um “benefício” e as tratarem como uma prioridade estratégica. Será quando pararmos de romantizar a “dupla jornada” e passarmos a discutir de forma séria a divisão justa de responsabilidades.

Será quando uma mulher puder ocupar qualquer posição sem precisar se moldar ou pedir desculpas por ser quem é.

Neste Mês da Mulher, mais do que celebrar, é tempo de questionar. O que você pode fazer – em sua vida pessoal, profissional e social – para romper com as estruturas patriarcais? Como você pode ser parte ativa dessa transformação?

Não basta comemorar um dia, quando a luta é para mudar todos os outros.

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