Estou presente, mas não conte comigo

Quem nunca cumpriu a obrigação da presença física sem, de fato, estar presente?
Era preciso ir — então fomos. Era necessário logar — então entramos. Mas dizer que estávamos atentos, engajados e performando talvez seja exigir demais.

Questões pessoais como saúde, finanças e relações, desalinhamentos com a cultura organizacional, sobrecarga e até a ausência de sentido no trabalho são apenas alguns dos fatores capazes de interferir na produtividade e na qualidade das entregas.

Diante desse cenário, o RH se vê diante de um desafio complexo: como atuar sobre algo que nem sempre é visível?

O custo oculto, porém, é alto — e pede atenção a esse indicador silencioso chamado presenteísmo.

Como já nos ensinou Peter Drucker, “o que não pode ser medido, não pode ser melhorado.”
E, no caso do presenteísmo, medir o intangível exige sensibilidade, preparo e uma cultura que reconheça que produtividade não é sinônimo de presença física.

O que é presenteísmo e por que ele é tão difícil de identificar

O presenteísmo ocorre quando o profissional comparece ao trabalho mesmo percebendo limitações que reduzem sua capacidade produtiva.
Ele cumpre o horário, participa das rotinas, mas não consegue realizar suas demandas com a qualidade esperada.

É quase imperceptível — especialmente em culturas que ainda valorizam o “estar” mais do que o “entregar”.

O colaborador está ali, mas não está inteiro.

Sinais que o RH precisa observar

Por ser multidimensional, o presenteísmo exige líderes e profissionais de RH atentos a sinais sutis de que algo não vai bem. Alguns indicadores incluem:

  • Queda na produtividade — individual e coletiva
  • Baixo engajamento — acompanhado de retrabalho e desperdícios
  • Distração e fadiga — aumentando riscos de erros e acidentes
  • Redução da qualidade — equipes performando abaixo do esperado

Ignorar esses sinais pode gerar impactos significativos no orçamento, na cultura e na sustentabilidade do negócio.

Impactos do presenteísmo na cultura e nos resultados

Falhas tornam-se recorrentes, erros se acumulam e o retrabalho consome energia que deveria estar direcionada à inovação e ao crescimento.

Mais do que comprometer resultados, o presenteísmo corrói o bem-estar organizacional e enfraquece a cultura.

Como o RH pode atuar de forma preventiva

Se a melhor forma de lidar com o presenteísmo é compreender suas causas, o caminho começa pelo diálogo individualizado, conduzido com escuta ativa e genuíno interesse em construir soluções conjuntas.

Algumas práticas organizacionais funcionam como fatores de proteção:

  • Canais de comunicação seguros
  • Ambientes psicologicamente saudáveis
  • Relações interpessoais fortalecidas
  • Planos de desenvolvimento e carreira
  • Capacitação contínua
  • Qualidade de vida e equilíbrio emocional

Esses elementos reduzem riscos e fortalecem a presença genuína.

Uma reflexão necessária

Talvez o maior risco do presenteísmo seja sua aparência de normalidade. Afinal, à primeira vista, ninguém faltou.

Mas organizações saudáveis não precisam apenas de pessoas presentes — precisam de pessoas inteiras.

Mais do que monitorar indicadores, cabe às lideranças e ao RH fomentar contextos onde trabalhar não signifique apenas comparecer, mas pertencer.

Porque, no fim, presença verdadeira não se mede pelo corpo ocupado em uma cadeira, e sim pela energia, pela atenção e pelo significado que cada pessoa deposita no trabalho que realiza.

Milena Baesso
Consultora organizacional | Mentora de líderes
Liderança consciente constrói cultura, engajamento e performance.

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