Já tem uns dias que me vejo com vontade de escrever, me dei conta que há tempos não faço um texto somente meu, e isso me incomodou.
Para piorar meu desconforto, preciso confessar que não foi nada simples escrever este texto, e olha que eu sou uma pessoa que lê bastante, que consegue conversar sobre temas diversos, que já escreveu com facilidade outros textos, enfim, apenas uma coisa poderia justificar minha atual dificuldade em colocar no papel as minhas ideias, ocorre que, talvez assim como você, eu passei a utilizar a IA, para me “ajudar”.
Sim, eu cai nesta armadilha, e hoje não sei nem dizer o que eu falei no meu último artigo publicado aqui na rede, de fato, vergonhoso e assustador. Pensei muito se eu deveria seguir com este texto, me expor desta forma, mas no fundo eu sei, para mim é importante ajudar no despertar e ativar este alerta.
Eu, pós graduanda em neurociência, ciente dos impactos negativos na capacidade cognitiva, me vi envolvida e encantada pelo “apoio” da IA, tudo começa com pedidos simples:
- Por favor, quais seriam as suas sugestões de melhoria neste texto?
- Por favor, com base neste texto, apresente um título que desperte interesse na leitura.
- Por favor, como eu poderia incluir uma chamada para ação no final deste texto.
E o retorno, é tão rápido e assertivo, seguido de sugestão para posts, stories, entre outros, que quando eu me dei conta, eu não pedia mais ajuda, eu pedia o texto todo! Sim, passei a informar o tema e a ideia central, depois eu lia, fazia pequenos ajustes, e, então, publicava.
E, acredite se quiser, logo os ajustes não foram mais necessários, o próximo passo foi eu deixar de ler os textos entregues pela IA, instalou-se o ciclo: eu peço, ela entrega, eu publico. Sim, novamente, vergonhoso e assustador.
Eu me iludia, buscava justificativas plausíveis para seguir utilizando a IA, pensava coisas como:
- estou ganhando tempo.
- agora consigo me dedicar a outras questões e atividades.
- a ideia e o tema são meus e isso sim tem valor.
Gente, fala sério!? Eu que valorizo conexões genuínas, que busco praticar a escrita afetuosa, como seguirei promovendo transformações na vida das pessoas se estou terceirizando meus textos para uma IA?
Observe que a questão aqui não é maldizer a IA, muito pelo contrário, ela é uma realidade, e de fato ajuda muito, o X da questão é como a estamos utilizando, é preciso atenção e vigilância para não ultrapassar o ponto.
Ainda bem que hoje eu decidi fazer diferente, e, sabe porquê? Por que, eu tenho meus valores bem estabelecidos, me conheço o suficiente para parar, ouvir meus incômodos, minhas insatisfações e agir.
Com alívio, eu finalizo este texto dizendo que ele é exclusivamente meu!